uerlei The End Of The Line


Mensagens: 61723 Localização: Teresina
|
|
Perdeu a oportunidade de não falar merda e ainda ganhou a chance de milhões de visualizações por mencionar o Papa Het.
Acho que tá valendo. Ela merece uma atenção por ter se prestado a tanta vergonha alheia. |
|
| Voltar ao Topo | |
 |
Quincas Whiplash


Mensagens: 36728
|
|
| Sensui Shinoba escreveu: | Rachel Sheherazade diz que roqueiro apolítico deveria mudar de estilo
"No rock, assim como na política, não existe neutralidade. Existe covardia e cumplicidade".
Jornalista critica postura de James Hetfield após declaração polêmica do vocalista do Metallica
O Rock é visto por muitos como um símbolo de resistência. Ao longo de sua história, artistas e bandas usaram a música para questionar estruturas de poder e dar voz a diferentes movimentos, tornando o posicionamento político parte da trajetória de nomes importantes do gênero.
Refletindo sobre este cenário, a jornalista Rachel Sheherazade criticou a postura de James Hetfield, vocalista do Metallica, após o músico afirmar que não gosta de política e questionar bandas e artistas que se posicionam sobre o tema.
Em um vídeo divulgado em seu perfil do Instagram, Rachel defendeu que artistas de Rock não deveriam se manter alheios às questões políticas e sociais que marcam o mundo. No início da publicação, ela disse:
Roqueiro apolítico, roqueiro neutro, roqueiro que não quer incomodar, roqueiro que não faz pensar deveria trocar de estilo musical. Em meio aos protestos mundiais contra o governo Trump, o genocídio palestino e a volta do fascismo em países como Argentina, Alemanha e Brasil, James Hetfield, vocalista do Metallica, afirmou que não gosta de política, criticou bandas que se posicionam e disse que a agenda do Metallica é amor, energia e música pesada. Ou ele não entende de política ou não entende de Rock.”
Em seguida, a jornalista pontuou diversos aspectos relacionados ao Rock, afirmando que o estilo “desafiou padrões morais, sistemas políticos, enfrentou o conservadorismo, denunciou guerras, racismo, desigualdades e abuso de poder” e justificou seu posicionamento citando bandas e músicas que transformaram questões políticas em parte fundamental de sua identidade artística:
O Rock transformou indignação em música e música em instrumento de resistência. Em ‘Sunday Bloody Sunday’, o U2 denunciou a violência política na Irlanda do Norte. O Rage Against the Machine usou a música deles para denunciar racismo estrutural, violência policial e a exploração dos mais pobres. Peter Gabriel homenageou o Stephen Biko, assassinado pelo regime do apartheid na África do Sul. Em ‘2 Minutes to Midnight’, o Iron Maiden criticou a Guerra Fria e os interesses econômicos e políticos por trás da corrida armamentista nuclear.”
Ao concluir sua reflexão, Rachel Sheherazade defendeu que o Rock não precisa oferecer todas as respostas para os problemas do mundo, mas deve ter coragem de levantar questionamentos:
“No rock, assim como na política, não existe neutralidade. Existe covardia e cumplicidade”. |
Vi o vídeo dela e ela está certa na crítica. Não se posicionar é um posicionamento. Quem não quer se posicionar já escolheu o lado de quem não quer ser incomodado.
Hetfield tem todo perfil de eleitor republicano, durante esses anos todos de carreira, nas letras de algumas músicas e entrevistas, acabou deixando evidente que tem valores de direita. Até "aprovou" o uso das músicas da banda para torturarem presos em guantánamo, disse que não via problema. A namorada/noiva dele é trumpista até hoje, então não duvido que ele ainda vote nele, mas é um voto envergonhado.
Mas ele é definitivamente de direita, por isso ele fica todo ensaboado, assim. Anos atrás ele foi no Joe Rogan e disse que saiu de São Francisco por causa do perfil progressista de lá, o que não era novidade nenhuma pra ele porque viveu uns 30 anos lá e a cidade sempre foi assim, deu uma justificativa bem fuleira pra dizer que tava descontente com o ambiente. Ostentou bandeira de Gadsden muitas vezes no palco, pendurada nos cabeçote dos amps. A cobra da bandeira também tá na capa do black album, a música "dont tread on me" fede a nacionalismo de direita, conservador. Já teve adesivo da totenkopf numa das explorer durante a turnê do justice.
Enfim, complicado. O cara ficou parte da juventude escrevendo letras criticando o sistema, a máquina de guerra, justiça o caralho a quatro, pra ir envelhecendo e ficando mais à direita. Quem prefere não se indispor diante do fascismo, do genocídio e da opressão já escolheu, com o silêncio, de que lado está. |
|
| Voltar ao Topo | |
 |
jordan Hero Of The Day


Mensagens: 3015 Localização: Porto Alegre
|
|
| Quincas escreveu: | Vi o vídeo dela e ela está certa na crítica. Não se posicionar é um posicionamento. Quem não quer se posicionar já escolheu o lado de quem não quer ser incomodado.
Hetfield tem todo perfil de eleitor republicano, durante esses anos todos de carreira, nas letras de algumas músicas e entrevistas, acabou deixando evidente que tem valores de direita. Até "aprovou" o uso das músicas da banda para torturarem presos em guantánamo, disse que não via problema. A namorada/noiva dele é trumpista até hoje, então não duvido que ele ainda vote nele, mas é um voto envergonhado.
Mas ele é definitivamente de direita, por isso ele fica todo ensaboado, assim. Anos atrás ele foi no Joe Rogan e disse que saiu de São Francisco por causa do perfil progressista de lá, o que não era novidade nenhuma pra ele porque viveu uns 30 anos lá e a cidade sempre foi assim, deu uma justificativa bem fuleira pra dizer que tava descontente com o ambiente. Ostentou bandeira de Gadsden muitas vezes no palco, pendurada nos cabeçote dos amps. A cobra da bandeira também tá na capa do black album, a música "dont tread on me" fede a nacionalismo de direita, conservador. Já teve adesivo da totenkopf numa das explorer durante a turnê do justice.
Enfim, complicado. O cara ficou parte da juventude escrevendo letras criticando o sistema, a máquina de guerra, justiça o caralho a quatro, pra ir envelhecendo e ficando mais à direita. Quem prefere não se indispor diante do fascismo, do genocídio e da opressão já escolheu, com o silêncio, de que lado está. |
Pois é. Não é de hoje que ele fala algo assim durante os shows, mas agora, em função do momento atual, a fala ganhou destaque. Mandou mal. |
|
| Voltar ao Topo | |
 |
Leandro Disposable Hero


Mensagens: 842
|
|
A arte deve ser livre para se posicionar, silenciar, criticar quem se posiciona e quem não se posiciona. O problema surge quando determinados espectros políticos, sobretudo setores da esquerda, tentam monopolizá-la, tratando uma expressão essencialmente humana como propriedade ideológica. Historicamente, a arte não pertence a um único lado.
É nobre que artistas utilizem sua obra para defender causas humanitárias, combater injustiças e promover a solidariedade, mas isso não pode ser uma obrigação. Além disso, mais importante do que discursos políticos externos à obra é a capacidade de a própria arte provocar reflexão, crítica e transformação. Mas, ainda assim, não deve ser tomado como algo necessário.
O que se observa, porém, é uma contradição: artistas que produzem obras frágeis, pueris e incapazes de suscitar reflexão crítica, mas que, fora delas, reivindicam para si o lugar de representantes da virtude e do engajamento artístico. Assim, a identidade de artista torna-se um instrumento de legitimação política, enquanto a própria produção permanece alienada das posições que seus autores proclamam.
Agora quanto ao posicionamento do James, não surpreende. Sua visão política, alinhada à direita, reflete uma trajetória geracional marcada pela Guerra Fria, seu desfecho, e a massiva propaganda anticomunista dos EUA (coisa que chega até nós, imagina estar lá no colo do Tio Sam). Enfim, contexto que também influenciou a identidade do Metallica, apesar das posições mais progressistas de outros integrantes.
Desde os anos 1990, com a consolidação mainstream da banda, o Metallica assumiu uma postura de neutralidade política, preservando parte da rebeldia do rock/metal, mas direcionando suas letras cada vez mais para questões existenciais, fragilidades pessoais e conflitos internos, especialmente de James.
O problema não é defender a neutralidade, mas criticar outros artistas por escolherem se posicionar, julgando suas manifestações ou desqualificando suas obras, se colocando em posição de moral elevada pra definir o que é digno e o que é �bullshit�. Nesse sentido, James vacilou: não precisava dar pitaco nas escolhas alheias.
As tentativas de cancelamento podem desgastar um pouco a imagem da banda, mas dificilmente devem produzir consequências muito maiores. Afinal, sua posição não é novidade; a polêmica está na maneira como ele resolveu expressá-la.
Edit: Eu tenho forte inclinação para esquerda radical, mas acho uma estupidez essa tentativa da esquerda de sequestrar a arte para seu campo, como se a única forma legítima de expressão humana devesse cumprir um propósito essencialmente político. Igualmente no rock/metal como sendo um gênero exclusivamente pertencente a um espectro político. Sim, é uma disputa pela hegemonia, mas precisa estar muito disposto a ser desonesto ou cometer eutanásia intelectual. Tudo isso parte de uma paixão política perigosa ou mera reprodução de discursos.
Editado pela última vez por Leandro em Wed Oct 14, 2026 9:53 pm, num total de 3 vezes |
|
| Voltar ao Topo | |
 |
Sensui Shinoba Invisible Kid

Mensagens: 412
|
|
Também acho bobagem esse papo de "rock é contestação". Rock, como qualquer outra expressão da arte, é essencialmente livre, inclusive pra transmitir mensagens perversas. Você pode expressar as mais sorrateiras atrocidades calcadas em uma melodia genial. Vai ser deslegitimizada como arte por isso? A arte não passa por um filtro moral por si própria, e o rock é um instrumento de livre expressão, tanto pra bobajadas quanto pra temas densos/sensíveis/desconfortáveis. Mas ela não é necessariamente anti-status quo ou moralmente pura
Quanto a postura do James, é um tanto individualista e decepcionante. Basicamente ele quer que a música seja uma mera ferramenta de entretenimento e alienação. Chamar de "bobagens" temas que afetam violentamente a vida das pessoas, falando de uma posição de extremo privilégio é patético. Parece que há décadas ele ta no modo "se não afeta o meu bolso ou minha saúde mental eu não tô nem aí" e isso se reflete nas letras das duas últimas décadas que se limitam a uma perspectiva individualista. Triste pra um cara que escreveu versos como "Moving back instead of forward seems to me absurd" e "Who made you God to say
I'll take your life from you"
Editado pela última vez por Sensui Shinoba em Thu Oct 15, 2026 1:20 am, num total de 1 vez |
|
| Voltar ao Topo | |
 |
|