Torcida é a coisa mais linda do mundo! Todo mundo de cara pintada, com camiseta do time e bandeira do país. Disso eu gosto e, se pudesse, estaria lá no estádio - mesmo não apelando para as pinturas e os chapéus estranhos.
Quando o time ganha, todo mundo vai pra rua e buzina frenéticamente. Até aí, nada de errado. Se eu não gosto porque me irrito com trânsito lento, confusão, o problema é meu!
Mas, aí, eu começo a perceber o quanto isso me atinge, o quanto pode influenciar na minha vida e interferir na minha paz.
A máxima de uma das mais recentes propagandas de desodorantes diz que o "futebol transforma as pessoas", o que é muito verdade. Mas, em muitos casos, o futebol transforma o indivíduo num completo imbecil, que perde a noção dos limites "porque o time ganhou", "porque o time se classificou".
Às 15 horas, fui buscar minha namorada para virmos para casa assistir ao jogo. Em um trecho de menos de 1km, vi dois acidentes; um deles, bem atrás de mim (se eu estivesse no lugar do carro de trás, estaria, agora, lamentando por ter de andar de ônibus por um mês, declarar a falência pra arrumar o carro, etc). Aquela loucura das pessoas para irem para suas casas, tornou o motorista pontagrossense ainda mais estúpido, burro, atrapalhado e incompetente que o de costume. Os dois acidentes que vi envolviam (adivinhem) motos, porque o bicho motociclista só faz cagada em cima de cagada no trânsito e, neste país, não tem um polícia filho da puta que faça alguma coisa que preste pra fiscalizar o maldito trânsito e os malabaristas suicidas que fodem com a vida de todo mundo. a polícia só presta pra foder gente de bem e bolar medidas geniais pra combater certas coisas (acompanhem meu relato sobre a genialidade policial mais à frente).
Aí, vim para casa, assisti ao jogo e deitei dormir. Às 20:30, saio de casa com minha mulher para comprarmos umas bobeiras de cabelo na farmácia, aí, aproveitei para comprar umas cervejas. O local mais próximo seria a movimentada Avenida München, no centro, onde há vários botecos que vendem aqueles latões a R$1,70.
O local estava uma completa zona, e não havia homens com suas esposas, suas crianças e casais desfilando tranquilamente. Só havia vagabundo, delinquente, cheirador de cola e encrenqueiro do caralho, que enche o cu de cerveja, tubão e sai fazendo cagada. Isso sem falar nos filhinhos de papai com seus sertanejos no último volume e cantando pneu. Isto é, ser vítima da imprudência e alcoolismo alheios seria algo fácil de me acontecer.
Estacionei próximo de uma viatura da polícia. Havia quatro policiais dando risada e falando bobagem, mas eu peguei uma frase de um deles, indignado com a folia do povo numa segunda-feira à noite: "é... é que amanhã é feriado, né?".
Dei risada e pensei comigo "esse tira pode ser um inútil, mas deu uma boa sacada". Aí, entro no boteco e descubro que os policiais proibiram a venda de bebidas alcóolicas EM LATAS e garrafas. Isto é, eu poderia comprar cerveja, encher meu cu, cair de bêbado, mas teria de colocar tudo num copo. Eu teria que colocar quatro latas que traria pra casa num copo.
O dono do bar me conta que não sabia explicar o motivo da decisão genial dos policiais. Aí, saio batendo os pés e volto pro carro, irritado por ter de ir lá na casa do caralho comprar quatro cervejas.
Aí, no sinaleiro seguinte, encontro meu primo, que estava frustrado como eu. Ele me conta que o motivo da proibição era por conta da sujeira que fica na rua após a vagabundaiada ir embora e porque muitos deles costumam atirar latas uns nos outros. Quer dizer: minha rotina, meu cotidiano, minha liberdade e minha paz foram tiradas porque uma turma de vagabundo desocupado e filho da puta gosta de fazer zona.
Por que não prendem os vagabundos? Não seria mais simples? Não prejudicaria o dono do bar e seria mais inteligente, correto e faria um bem maior ao mundo.
Agora, cheguei em casa e vim desabafar no MR.
